Em quadra: os centrais brasileiros de maior destaque nos últimos tempos

Mariana Miquelino
@marianagermana

Aqueles que acompanharam o lindo jogo entre Sada/Cruzeiro e Lokomovit Novosibirsk pelo Mundial de Clubes no mês passado puderam testemunhar a atuação impecável do time brasileiro. É difícil definir destaques em um grupo tão entrosado e eficiente. Entretanto, é inegável que a atuação dos centrais cruzeirenses chamou atenção. Douglas Cordeiro e Éder brilharam no meio-de-rede: o bloqueio russo não foi capaz de parar os jogadores, que facilmente pontuavam pela equipe azul celeste. Nesse embalo, o Linha aproveita para traçar um breve perfil dos centrais brasileiros que vêm se destacando nos últimos tempos.

Douglas Cordeiro           

Campeão da Superliga pelo Sada Cruzeiro. Foto: Divulgação/ Sada Cruzeiro
Campeão da Superliga pelo Sada Cruzeiro. Foto: Divulgação/ Sada Cruzeiro

Pernambucano de 34 anos, Douglas é filho de noronhense e morou na ilha durante parte de sua infância, local onde teve os primeiros contatos com o vôlei. Em entrevista ao blog Surgiu Esporte, o jogador declarou a sua satisfação por ter vivido em Fernando de Noronha: “eu me considero uma pessoa muito privilegiada por ter tido uma infância e uma pré-adolescência lá. O quintal da minha casa era a ilha. Meu pai não tinha essas preocupações que os pais têm de assalto, sequestro. Isso me deu uma oportunidade de sair para pescar, para mergulhar, para surfar. São coisas que tive oportunidade de fazer. Se toda criança tivesse essa chance, ia ser ótimo. Apesar de ter saído de Noronha há muitos anos, sempre tive uma identificação grande. Na final da Superliga, eu estava usando a bandeira da ilha, justamente em homenagem às pessoas deste paraíso, este lugar tão maravilhoso”. Incentivado pelos professores de Educação Física dos colégios onde estudou, dedicou-se com afinco ao esporte e em 1996 já integrava o elenco da seleção infanto-juvenil. Atualmente, disputa a sua 16ª edição da Superliga, jogando pelo Sada/Cruzeiro, e almeja o pentacampeonato.

Éder Carbonera

Éder e sua esposa Natália. Foto: Reprodução/ Twitter
Éder e sua esposa Natalia. Foto: Reprodução/ Twitter


O gaúcho de 30 anos começou a se dedicar ao vôlei no time infantil da Universidade Caxias do Sul. Nas categorias de base da seleção brasileira, conquistou o ouro no Mundial de 2001 e o vice-campeonato no Mundial 2003.  Já nas equipes adultas, jogou pelo extinto time Cimed/Florianópolis, onde foi tetracampeão na Superliga , e pelo Sesi SP, defendendo atualmente o Sada/Cruzeiro. Sob o comando de Bernardinho, trouxe medalhas nas Ligas Mundiais de 2007 e 2009, nos Jogos Pan-Americanos 2011, entre outras competições. No ano passado, Éder subiu ao altar: casou-se com Natalia Gamba em Florianópolis com direito a uma exuberante produção (confira o vídeo do evento aqui).

Rodrigo Santana

Rodrigão e seu filho Pedro. Foto: Globo Esporte
Rodrigão e seu filho Pedro. Foto: Globo Esporte

Mais conhecido como Rodrigão, o paulista de 34 anos tem um currículo de dar inveja: uma medalha de ouro e duas de prata em Olimpíadas já seriam suficiente para impor respeito, mas o jogador ainda conta com uma lista sem fim de títulos nos mais variados campeonatos, como Sul-Americanos, Mundiais, Copas do Mundo, Ligas Mundiais e Jogos Pan-Americanos. Assim como aconteceu com Douglas Cordeiro, Rodrigão afirmou, em entrevista ao blog Vôlei Brasil, que seu interesse pelo vôlei surgiu após a vitória brasileira nas Olimpíadas de 1992: “Eu acompanhava as partidas todos os dias pela TV da escola, que praticamente parava para os alunos assistirem. Foi ali que passei a ter vontade de jogar, na própria escola, mas nada muito sério. Em 1993, fui procurar um clube para ver como era o vôlei. Eu já era alto. Pouco antes de completar 14 anos, fiz a peneira no Banespa. Fui aprovado por ser alto, e não pela habilidade. Foi quando tive oportunidade de treinar o ano inteiro, saindo de Osasco e indo até o Banespa diariamente. No terceiro ano de Banespa, fui para o infanto e logo depois chamado para a seleção paulista. Em janeiro de 96, começou a minha história com a camisa verde-amarela. Da chegada à seleção brasileira infanto, treinado pelo Percy Oncken, até o Mundial Juvenil em 99, com Marquinhos Lerbach, foram quatro anos na base. Quando voltei desse Mundial Juvenil, já passei a integrar o grupo da seleção adulta”. Após cogitar migração para o vôlei de praia, o jogador defende atualmente o time carioca RJX.

Lucas Saatkamp

Lucão e a nova Beatriz. Foto: Reprodução/ Instagram
Lucão e a nova Beatriz. Foto: Reprodução/ Instagram

Lucão, como é conhecido, nasceu em Colinas, município do Vale do Taquari em Rio Grande do Sul, há 27 anos. O gigante de 2,10 m sempre teve o incentivo do pai para a prática dos mais diversos esportes e começou sua carreira como atleta no basquete. Devido à falta de patrocínio, migrou para o vôlei, defendendo inicialmente o time do colégio onde estudava. Após breve atuação no Grêmio Náutico União, permaneceu por três temporadas no Ulbra Canoas. A partir de 2007, começou a atuar pelo Cimed Florianópolis, quando sua carreira deslanchou: foi tricampeão da Superliga, bicampeão catarinense e campeão da Copa do Brasil e do Sul-Americano. Na temporada 2009/2010, defendeu o extinto time de Araçatuba, Vôlei Futuro. Em seguida, vestiu a camisa da equipe carioca RJX entre 2011 e 2013, pela qual também foi campeão da Superliga. Atualmente, compõe a promissora equipe do Sesi-SP, com quem tem um contrato de dois anos: “Não é só uma questão de troca de clube, mas tambpem de mentalidade, de foco e de carreira”. Pela seleção brasileira, começou nas categorias de base, sendo convocado por Bernardinho para o Sul-Americano de 2009. Desde então, tem brilhado com a camisa verde-amarela, especialmente com os saques potentes. Na vida pessoal, após o término de um noivado, Lucas está em um relacionamento com Beatriz Casagrande e já faz planos de casamento.

Sidnei dos Santos

Sidão e o filho Rafael. Foto: Reprodução/ Instagram
Sidão e o filho Rafael. Foto: Reprodução/ Instagram

Sidão nasceu em Taubaté há 31 anos. Assim como Lucão, começou a vida esportiva com o basquete na escola em que estudava, que era tradicional nos torneios de vôlei, motivo pelo qual deu preferência às quadras com rede.  Iniciou na categoria pré-mirim e defendeu o Banespa por cinco anos na divisão infanto-juvenil. Foi onde conheceu o também central Gustavo Endres, atleta no qual se espelhava. Em 2005, vestiu a camisa do Cimed Florianópolis, clube em que foi campeão da Superliga. No exterior, atuou pelo Modena da Itália, momento em que sofreu com uma persistente lesão no joelho. Desde 2009, defende a equipe Sesi-SP, tendo sido campeão da Superliga 2010/2011. Em 2006, recebeu a primeira convocação para a seleção brasileira e dividiu espaço com jogadores mais experientes, como Andre Heller, com os quais teve a oportunidade de aprendizagem. Aos poucos, foi se destacando e é um dos principais nomes da atualidade para a função. Esse ano, após recuperação de uma cirurgia na coluna, foi eleito o melhor jogador e o melhor central do Campeonato Sula-Americano. Após o fim de um casamento de cinco anos, relacionamento no qual teve um filho, Sidão começou a namorar a levantadora Dani Lins em 2010, com quem recentemente firmou noivado: “Ele me falou que já estamos juntos há três anos, sendo dois morando juntos, e praticamente casados. Foi quando disse:  ‘Você também merece isso’. E me puxou a caixinha com a aliança e perguntou se queria ser a mulher dele para o resto da vida”.

André Heller

André e sua filha Helena. Foto; Arquivo Pessoal
André e sua filha Helena. Foto; Arquivo Pessoal

Natural de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, André Heller afirma que tem no esporte a sua fonte de formação tanto profissional quanto pessoal. Também foi adepto de outros esportes, como a natação, o atletismo e o basquete, até encontrar raízes no vôlei em 1990. Alega que não é um atleta de grandes talentos, mas sim de grande determinação dentro de quadra, determinação essa que muito tem a ver com as suas origens humildes, as quais exigiram do gaúcho intenso foco e perseverança. Ressalta a importância do apoio dos pais e das irmãs para que pudesse progredir no esporte. Começou na seleção masculina adulta em 1998, jogando pelo Mundial no Japão, e se manteve na posição até 2008. É detentor de uma medalha de ouro e outra de prata nos Jogos Olímpicos, assim como dois ouros em Copas do Mundo, um ouro no Mundial, um ouro, uma prata e um bronze em Jogos Pan-Americanos e inúmeros títulos em Ligas Mundiais. Entre 2004 e 2008, jogou nos tradicionais times italianos Trentino e Modena. No Brasil, já defendeu o Ulbra Canos, o Unisul e o Minas, atuando desde 2010 até os dias atuais em Campinas, projeto do qual participa desde a sua criação. É casado com a ex-levantadora Marcelle, com quem namorou por três anos até tomar a decisão de subir ao altar e tem uma filha.

Gustavo Endres

Os irmãos Endres. Foto: Fernando Potrick
Os irmãos Endres. Foto: Fernando Potrick

Gaúcho de Passo Fundo, nasceu em 1975. Começou jogando nas ruas da cidade natal e em 1993 passou a defender o Banespa. Afirma que a sua técnica nos fundamentos era muito precária e que foi sendo melhorada com o tempo por todos os treinadores que o orientaram. Em 1994, recebeu a convocação para a seleção juvenil e, em 1997, já figurava na seleção adulta, pela qual ganhou duas medalhas olímpicas, uma de ouro e outra de prata, e uma série de outros títulos em campeonatos como Liga Mundial, Jogos Pan-Americanos e Mundiais. Ficou conhecido mundialmente pelos saques e pelos bloqueios. Jogou na Itália durante muitos anos, tendo atuado pelo Ferrara, pelo Latina e pelo Sisley Treviso. No Brasil, jogou pelos extintos times de Pinheiros/Sky e Cimed Florianópolis e, nos dias atuais, defende o Móveis Kappesberg/Canoas. Irmão mais velho de Murilo Endres, sempre foi um modelo a ser seguido. Além de incrível determinação dentro de quadra, também vem mostrando engajamento fora dela ao ser o precursor de campanhas que visam a construção de um vôlei mais justo no país. Casado desde 1994 com Raquel Glufke Hoffmann Endres, com quem tem dois filhos, destaca o papel fundamental da família em sua carreira e valoriza o apoio dado pela esposa, que venceu a luta contra um câncer descoberto em 2005, vitória essa que Gustavo considera como uma das mais importantes de sua vida.

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