E agora, quem poderá nos defender?

Mayara Rufino | @capitolinda

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Sobre a pergunta: eu não sei responder. Aliás, escrevo para expor minha dúvida. Hoje, dia 12 de dezembro, eu deveria estar no Tijuca Tênis Clube, para fazer a cobertura da partida entre o Rexona-Ades e o Pinheiros, pela Superliga Feminina, mas faltou disposição. Não por preguiça, ou qualquer coisa do tipo, mas porque antes de ser integrante do Linha, sou Mayara, torcedora e apaixonada por vôlei.

Perdi um – talvez – furo, uma oportunidade de ter uma aspa do Bernardo hoje, sobre a crise, mas não tive coragem de ir ao jogo. O que vem acontecendo com o nosso voleibol, há muito tempo, é lamentável. O esporte tem um público imenso, mas a entidade responsável por gerenciar seus campeonatos parece fazer de tudo para afundá-los. Ora por manter contrato com a emissora que negligencia o nosso esporte em detrimento do futebol. Ora pela falta de transparência, não só com os patrocinadores, mas com os próprios jogadores.

Para quem chegou de marte hoje, a ESPN fez um dossiê que trouxe à público as contratações fraudulentas da Confederação Brasileira de Voleibol com empresas de parentes de seu dirigente na época. Ary Graça, que hoje preside a FIVB, maior entidade do voleibol mundial, renunciou à presidência da CBV. Esta semana, a Controladoria Geral da União (CGU) apontou as irregularidades em um relatório final, que foi aberto após as denúncias feitas pela reportagem da ESPN. A crise que estourou em março, teve seu resultado agora: o Banco do Brasil, maior patrocinador da CBV, se desvinculou da entidade. O banco mantinha a parceria há 23 anos e dentro da cota de patrocínio, havia a bonificação por performance, que a CGU identificou que não era repassada aos atletas. Foram, aproximadamente, R$ 30 milhões desviados das quadras!

Cheguei de marte agorinha, acabaram as notícias ruins?

Não, amigo, a CBV em forma de protesto à punição aos atletas Mario Jr., Murilo, Bruno Rezende e ao próprio Bernardinho, que aconteceu no Mundial Masculino, na Polônia, em setembro, comunicou à imprensa que não realizará em solo brasileiro a fase final da Liga Mundial. Excluindo o líbero, atletas foram penalizados pela FIVB desnecessariamente – inclusive em espécie! Bruno, por exemplo, foi multado em mil dólares! – . Alguns nem em quadra estavam quando se deu a confusão à qual foram punidos. O que entendemos é que a decisão do presidente da maior entidade do voleibol, o sr. Ary Graça, foi dada por motivos pessoais em retaliação aos acontecimentos extra-quadra.

Olhando por uma outra perspectiva, temos uma CBV, que após a crise, poderá nos mostrar que não compactua com as graças do sr. Ary. E essa decisão de não sediar a final da Liga, apesar de frustante a médio prazo para os torcedores brasileiros, nos dá essa esperança. Precisamos desconstruir para construir um novo cenário. E o protesto, a longo prazo, junto com a nova postura da entidade nacional, com mais transparência com os próprios atletas, talvez dê bons frutos. Em contrapartida, temos uma FIVB, com um presidente brasileiro que não mediu esforços para ver a seleção do seu país fora do pódio do Campeonato Mundial, usando de regras alteradas em cima da hora para beneficiar a equipe que sediava o evento, a Polônia, por exemplo.

E eu me pergunto: se esse senhor fez o que fez com a presidência da CBV, o que será de nós, meros torcedores, com ele na presidência da FIVB? O que será do vôlei brasileiro? O que será da nossa Superliga? Da nossa seleção, se estamos tão perto de sediar uma Olimpíada?

Bem, amigos, as notícias não são boas. Atletas insatisfeitos, clubes desfeitos a cada temporada do campeonato nacional, evasão de patrocinadores. Atletas sendo exportados por falta de clubes, que acabam por falta de patrocinadores, que não se mantém nos clubes por falta de divulgação da detentora dos direitos da Superliga. E eu pergunto, novamente: quem poderá defender o voleibol brasileiro?

Ps.: O Rexona venceu o Pinheiros por 3 sets a 0 no TTC e continua invicto na Superliga.

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Publicado por Mayara Rufino

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Nasci Mayara, mas pode me chamar de Capitolinda. Sou formada em Jornalismo, faço pós em Literaturas Portuguesa e Africanas, e apesar de ser sedentária e das letras, sou apaixonada por vôlei.

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