Quem tem medo da Rússia?

Mayara Rufino | @capitolinda

Muserskiym, aqui está tudo de boas. Foto: Ivo Gonzalez
Muserskiy, tio Bê mandou avisar que por aqui está tudo de boas. Foto: Ivo Gonzalez

Quinta-feira (17), 12h30, é a estreia do Brasil na fase final da Liga Mundial e seu primeiro adversário não é mole, não. Os comandados do Bernardinho encontrarão com o gigante Muserskiy e cia e a tensão – principalmente por parte da torcida – é inevitável. Wallace, apesar dos tropeços nos últimos anos da seleção diante dos russos, está confiante com a primeira partida da última etapa da Liga Mundial, em Florença, na Itália, que também será palco da segunda partida, contra o Irã:

“O ginásio não é tão grande, e sabemos que em três dias vai ser envolvido com muita pressão. Nossa equipe está acostumada a jogar assim. A equipe brasileira sempre passa por essas coisas, e sabemos como lidar com isso – especialmente depois da maneira como conseguimos nos classificar. Estamos entusiasmados, cheios de força de vontade e foco para tentar levar o Brasil ao lugar mais alto do pódio. Jogar contra a Rússia exige muita paciência. Eles são bloqueadores fortes. O Irã já tem nos mostrado que eles podem fazer. Nós sabemos que eles estão em boa forma.”, disse o oposto, segundo a FIVB, em tradução livre à: “The gym isn’t that large, and we know that in three days it will be packed, with lots of pressure. Our team is used to playing like that. The Brazilian team always goes through such things, and we know how to deal with it – especially after the way we managed to qualify. We have great enthusiasm, willpower and focus to try to lead Brazil to the highest place on the podium. Playing Russia demands a lot of patience. We need to have our serve at its most efficient. They are strong blockers. Iran has already shown us what they can do. We know they are in fine form.”

Brasil x Rússia: uma história de altos e baixos – no pódio

Com o fim da supremacia italiana no voleibol, em 2001, Brasil despontou como a nova força mundial no esporte com seu segundo título na Liga Mundial – o primeiro foi em 1993, em casa, apesar do favoritismo italiano – e conquistou sete títulos desde então: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009 e 2010. Sim, o Brasil é o maior detentor de títulos na Liga Mundial de Vôlei, totalizando nove medalhas de ouro. Diante deste cenário, o objetivo de qualquer seleção – principalmente a italiana – é destronar a amarelinha.

Em 1993, ainda com o sistema de vantagens, o Brasil superou a – então poderosíssima Itália – e depois a Rússia, na final, ambos os jogos por 3 a 0, e levou o primeiro lugar naquela edição da Liga Mundial. Já tínhamos a seleção de ouro, comandada por José Roberto Guimarães, que havia conquistado o primeiro ouro olímpico coletivo do Brasil em Barcelona, no ano anterior, e o voleibol era a nova paixão nacional. Já em 1999, o Brasil venceu, de novo, a Rússia em partida decisiva e ficou com o bronze. O título ficou com a Itália.

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O primeiro ouro olímpico coletivo do Brasil foi em 1992, com o comando de José Roberto Guimarães. Foto: FolhaPress

A partir da era Bernardinho, as peças mudaram de lugar e a pedra no sapato dos brasileiros passou a ser os russos: o Brasil conquistou seu segundo ouro numa Liga Mundial em 2011, interrompendo a sequência da Itália e, no ano seguinte, perdeu para a Rússia por 3 sets a 1 no Mineirinho lotado. Em 2007, veio a revanche: batemos os russos por 3 a 1, na Polônia e ficamos com a medalha de ouro. Em 2010, na conquista do nono título, a vitória foi em cima da Rússia por 3 sets a 0.

Russos, vocês têm o ouro de Londres, mas bem… nós temos 9 Ligas Mundiais – 3 em cima de vocês. Foto: FIVB

Na Liga Mundial, a Rússia tem 3 títulos de 22 edições disputadas e soma um total de 15 pódios, enquanto Brasil tem 17 em 24 competições. A Rússia conquistou seu primeiro título em 2002, em uma final contra o Brasil. Após as vitórias brasileiras em 2007 e 2010, os russos disputaram o ouro de novo com o Brasil em 2011 e conquistaram o lugar mais alto do pódio pela segunda vez. Após a vitória da Polônia em 2012, que venceu a Liga Mundial pela primeira vez, Rússia e Brasil voltaram a realizar a final da competição em 2013 com nova vitória russa, totalizando o segundo título em três anos – os três em cima do Brasil.

Em 2004 o Brasil conquistou seu bi olímpico – o primeiro foi ouro em 1992, em Barcelona – e disputou a final com a Itália. O terceiro lugar ficou com a então emergente Rússia. Nos jogos seguintes, em Pequim, o Brasil ficou em segundo lugar – perdeu para os EUA – e a Rússia venceu a Itália, levando a medalha de bronze.

Foto: FIVB
O bi olímpico veio 12 anos depois, nas Olimpíadas de Londres, já na era Bernardinho – e sem a Itália no nosso pé. Foto: FIVB

Quatro anos após, brasileiros e russos subiriam ao pódio na terceira Olimpíada seguida, mas desta vez de forma surpreendentemente triste para o vôlei masculino no Brasil: Ambas as equipes vinham de seis vitórias e uma derrota, mas o revés foi justamente com a seleção brasileira. A Rússia venceu o Brasil, de virada, na final olímpica de Londres. Ganhamos os dois primeiros sets – mole, mole até demais – e após alguns matchpoints jogados fora… perdemos um set. E outro set. E o tie-break. E Bruno chorou. E Giba chorou. Wallace, Murilo, Vissotto… O Brasil chorou.

O que a Itália não conseguiu, a Rússia fez: miou nosso tri olímpico. E de virada. Vou chorar de novo. Foto: Cleber Mendes
Vem cá, Bruno, me abraça. Liga não, a gente é bi. Foto: Cleber Mendes

A competição de moral para o Brasil foi a Copa dos Campeões, que acontece no ano seguinte aos Jogos Olímpicos, e o Brasil conquistou o tetracampeonato. A Rússia ficou com a prata e a Itália, com o bronze. Na copa, porém, apesar do tetra – a seleção amarelinha sofreu novo revés da russa, que foi a quarta derrota para a seleção do leste europeu em partidas decisivas na época. Se contarmos a primeira fase da Liga Mundial do ano passado – a partida de quinta-feira será a primeira entre as seleções nesta edição da Liga – serão cinco tropeços do Brasil diante da Rússia. O primeiro tropeço e mais traumático, sem dúvidas, foi nas Olimpíadas de Londres. O segundo foi na Liga Mundial do ano passado, já na fase final, em Mar del Plata, onde a cena olímpica se repetiu: Rússia em primeiro e Brasil em segundo lugar.

O Brasil conquistou, em 2013, o tetracampeonato da Copa dos Campeões em cima da Itália e da Rússia. Foto: FIVB

Agora, encararemos a mesma Rússia da Liga Mundial do ano passado, mas que vem de uma reabilitação na Liga, assim como o Brasil. Enquanto os comandados do Bernardinho ficaram em 3º lugar no seu grupo, a Rússia empatou em pontos com o líder da sua chave, os EUA. Os russos têm sido bem chatos com o Brasil nas grandes competições, sim, não vamos negar. Mas não podemos esquecer da conquista inédita dos meninos da Seleção Sub-23 em cima da seleção russa por 3 sets a 0 no final do ano passado, e, na semana seguinte, a vitória do nosso Sada Cruzeiro em cima do Lokomotiv Novosibirsk deles no Mundial de Clubes. Ambas as competições tiveram jogadores que vão estar em quadra na partida de quinta. Um deles é Wallace, que esteve nas derrotas nas Olimpíadas de Londres e na Liga Mundial do ano passado, mas saiu do Mundial de Clubes como melhor jogador do campeonato.

Os meninos da sub-23 nos representam SIM. Foto: Alexandre Arruda/ CBV

Tensões à parte, competição mundial no vôlei não serve sem um emocionante Brasil x Rússia. E essa Liga Mundial não seria diferente. Tomara que a tradição se mantenha, mas claro, com o Brasil no lugar mais alto. PRA CIMA DELES, BRASIL!

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Publicado por Mayara Rufino

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Nasci Mayara, mas pode me chamar de Capitolinda. Sou formada em Jornalismo, faço pós em Literaturas Portuguesa e Africanas, e apesar de ser sedentária e das letras, sou apaixonada por vôlei.

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