Índio, levantador do RJ Vôlei, fala sobre ídolos e crise no esporte, declara amor pelo time e pela cidade que o acolheu e solta: “a gente não ‘tá’ desanimado, não!”

Mariana Miquelino | @marianagermana
Mayara Rufino | @capitolinda

Uma parceria com o RJ Vôlei já estava sendo cobiçada pelo Linha há tempos por inúmeros motivos: a presente fragilidade do time em decorrência da perda do patrocínio da OGX, a necessidade de se dar destaque aos novos nomes que estão surgindo do banco de reservas e, acima de tudo, a urgência em tentar alavancar novamente a única equipe carioca de vôlei integrante de competições nacionais. Eis que surge a oportunidade de contatar o atual levantador titular do time, o Índio. Qual não foi a surpresa com a rapidez de resposta do jogador e, especialmente, com a sua enorme simpatia e disponibilidade! Resumo da ópera: fomos convidadas a assistir a um treino do Rio de Janeiro. De quebra, descolamos uma entrevista com o mais novo capitão da equipe. Ficou curioso ‘pra’ saber os detalhes? A gente te conta!

Índio, para nossa surpresa, foi muito solícito e não se recusou a responder nenhuma pergunta. Foto: Mayara Rufino/ Linha das 5

As emoções do dia começaram antes mesmo de chegarmos ao treino. A nossa equipe se confundiu um pouco (bastante, na verdade) com os caminhos do Tijuca Tênis Clube que nos levariam à quadra e fizemos um breve tour pelo clube esportivo. Desorientações à parte, foi muito interessante poder ver de perto o esforço dos jogadores do time carioca para superar as limitações e aprimorar o desempenho nos fundamentos.

O levantador Índio e a repórter Mariana. Foto: Mayara Rufino/ Linha das 5

Após o treino e algumas brincadeiras depois, o levantador de 23 anos veio até nós para começarmos a entrevista. Nós o conhecíamos, mas não seria difícil identificá-lo entre seus colegas de equipe: bisneto de uma índia e com sotaque diferente dos demais, Índio se destacava – apesar da baixa estatura em comparação aos outros. Logo de início, Alexsandro Garcia Vicente, ou simplesmente Índio, foi conquistando a empatia das redatoras do Linha com seu sotaque manso de mineirinho de Matosinhos (e também pela existência de ídolos em comum, vale ressaltar). Ele apontou a influência decisiva que as Olimpíadas de 2004 desempenharam em sua carreira.

Mariana: Acho que a primeira pergunta é sobre como você começou no vôlei. O que te incentivou a começar?

Índio: Então, eu comecei em 2004, eu era jogador de futebol, né? Jogava jogo amador. Em 2004, a seleção brasileira foi campeã olímpica. E foi aí que eu comecei a me interessar mesmo pelo vôlei, achei bacana e tal. Eu já tinha amigos de escola que jogavam e me convidaram e eu me interessei e fui jogar em 2004. Isso ainda amador, na minha cidade. Sou de Matosinhos. E, em 2005, eu fui fazer um teste no Minas Tênis Clube e passei.

Mariana: E nessa questão de o Brasil ganhar as Olimpíadas, quem era o seu maior ídolo? Sua maior inspiração? Índio: Ah, eu era fã do Nalbert e do André Nascimento…

Mariana: Acho que a Mayara também é bastante fã do André!

Mayara: Sou um pouquinho fã do André! (risos)

Índio: O Nalbert e o André Nascimento eram meus ídolos mesmo. E foi até engraçado que no ano de 2007, quando foi o primeiro ano que eu joguei no profissional, era Telemig Celular/Minas ainda, não era Vivo Minas, o Nalbert foi contratado e, no ano, seguinte o André Nascimento foi contratado. Então, ‘pra’ mim, foi realização de estar num time profissional e de estar jogando ao lado deles. (sic) Foi contratado o Nalbert, o André Nascimento, o André Heller e o (Riley) Salmon, o que foi campeão americano nas Olimpíadas de 2008, no caso, que foi campeão em cima do Brasil no ano seguinte. Então, assim, eu tive um plantel bom de jogadores!

Ficamos admiradas com a intimidade do levantador com as câmeras e a explicação veio depois: “Faço trabalhos como modelo de vez em quando”. Foto: Mayara Rufino/ Linha das 5

Confortável com os flashs da Nikon D3100 e dono de um jeito simples e convidativo, permitiu que a conversa fluísse com facilidade e, diferente de outros entrevistados, não vetou nenhum tipo de pergunta. Aliás, o moço tem uma veia artística pulsante: além de já ter feito alguns trabalhos como modelo, sempre que pode, Índio posta nas redes sociais vídeos de seu canal no Youtube tocando violão. Quando questionado se pensa em investir numa carreira como cantor, afirma que se trata apenas de um passatempo.

Índio: Não, não, eu canto muito mal! (risos) O violão é só hobby mesmo. É quando eu não ‘tô’ fazendo nada, ‘tô’ em casa, ‘tô’ com amigos..

Mariana: É uma maneira de relaxar, espairecer?

Índio: É, (sic) é eu e Deus ali, sabe? É uma coisa bem minha mesmo.

Nos vídeos do levantador, que é evangélico, há predominância de músicas sertanejas e gospels. Segundo o mesmo, sua paixão é o voleibol e seu amor é Jesus Cristo. Outra paixão declarada de Índio são sua família e sua namorada, que moram em Minas. Apesar da distância que o separa dos parentes, diz que criou uma nova família dentro do time.

Índio: Eu ligo todos os dias ‘pra’ casa, isso aí é fato. Graças a Deus, a internet nos favorece muito hoje em dia, né, Whatsapp e tudo mais… Skype... Então eu ligo todos os dias, converso com o meu irmão todos os dias. Eu tenho uma afilhada lá, meu irmão já é pai, vai fazer um ano. ‘Tô’ sempre procurando saber se precisa de alguma coisa. Hoje, graças a Deus, a minha situação financeira é um pouco melhor do que a deles, então eu sempre ‘tô’ tentando ajudar em casa, se a minha mãe precisa de qualquer coisa, eu sempre ‘tô’ tentando auxiliar e tudo mais. Hoje eu penso que a distância é uma questão de necessidade, se eu pudesse trazê-los todos pra cá, claro que eu traria, mas aqui eu tenho grandes pessoas que suprem essa questão da ausência. O pessoal ‘tá’ até brincando ali (nesse momento, o central Ualas sai de quadra implicando com Índio), mas é uma pessoa (Ualas) que é importante, sempre ‘tá’ chamando ‘pra’ cinema, ‘tamo’ brincando, conversando. O Ualas é o mais próximo. Eu moro com o Bob, então acaba que a gente vem ‘pro’ treino junto, a gente compartilha algumas coisas, ele também é casado e ‘tá’ longe da família, então a gente se apóia um no outro.

Índio fora de quadra: à esqueda, com o irmão, a cunhada, a cunhada e a namorada. À direita, posando de modelo.
Índio fora de quadra: à esquerda, com o irmão, a cunhada, a afilhada e a namorada. À direita, posando de modelo. Foto: Arquivo Pessoal

Mariana: Isso facilita dentro de quadra?

Índio: Facilita. Você tendo um conhecimento fora, dentro de quadra é melhor, a convivência é melhor. Claro que tem aqueles bate-cabeças, você fica estressado um pouco, ali dentro do jogo você fica meio puto (sic) assim, mas não é nada que fora da quadra venha a estragar. E fora da quadra, a nossa equipe é muito unida; “ah, vamos fazer?”, vamos fazer junto nas possíveis condições. Mas eu sinto saudade, muita, minha namorada “tá” lá e tudo mais, sempre que dá ela vem pra cá, eu vou pra lá, mas o que faz uma âncora aqui assim é a questão dos próprios atletas mesmo.

Mariana: Como é que ‘tá’ sendo dividir apartamento com o Bob?

Índio: Então, é..

Mayara: Bagunça? (risos)

Índio: Não, ele é tranquilo! Cada um tem seu quarto, né, cada um tem suas coisas… Às vezes a gente compartilha questão de “ah, hoje eu faço a janta (sic), hoje eu faço almoço, ‘vamo’ fazer aqui, ‘vamo’ arrumar ali e não sei o quê”, mas nada estressante, a gente sempre ‘tá’ se entendendo. Não é nada de mais. Por ele ser casado, por eu ser comprometido, não tem aquela questão de bagunça, entendeu? Claro, (sic) vai os amigos, vão algumas pessoas, mas nada de mais…

Em relação aos levantadores que ele tomou por modelo durante o seu crescimento como profissional da área, Índio cita ídolos bastante íntimos da torcida brasileira.

Índio: Levantador, na época quando eu comecei a jogar, era o Ricardinho mesmo. (sic) Eu achava ele… Acho ele ainda um ótimo jogador. Na época, ele começou a fazer um jogo totalmente diferente no Brasil, tanto que foi uma geração que ganhou tudo, né. Ele, Giba, Gustavo… E o Ricardinho, para mim, era uma pessoa de referência. E anos foram passando, aí veio o Marlon também, que despontou no país e joguei com ele também. Então, assim, eu tive uma bagagem muito boa. E hoje ter jogado com o Bruninho também… Eu peguei uma geração bem bacana!

O comentário sobre a experiência de jogar com Bruno Rezende não poderia passar despercebido. O atleta foi apenas um dos inúmeros nomes de peso que saíram da equipe por conta da retira do patrocínio da empresa OGX. O RJ Vôlei conta apenas com nove jogadores atualmente e enfrenta uma fase bastante conturbada, de escassos recursos. Apesar dos reveses, Índio ressalta a grande confiança que tem no treinador, Marcelo Fronckowiak, e diz que o moral da equipe não está tão abalado quanto pensamos.

Índio: Substituir o Bruno, no começo, foi aquela pressão, né, aquela coisa.. Todo mundo na expectativa em cima de mim, “e agora?”, mas a primeira confiança que eu tive foi do próprio técnico, o próprio Marcelo. Já trabalhei com ele no Minas na temporada 2010/2011 e ele correspondeu bem a essa questão. (sic) Me passou confiança, falou “ó, faz o seu jogo, fica tranquilo, eu te chamei, porque eu sei da sua capacidade”. A própria equipe correspondeu bem a isso. Tanto que, quando o Bruno saiu, o Rodrigão era o capitão, mas, pelo fato de o Rodrigão ‘tá’ no banco, eu era o capitão em quadra, então, só pelo simples fato de ele me dar um posto desses também já passa um pouco mais de confiança, de credibilidade. Apesar das derrotas, eu creio que eu tenho conseguido fazer alguns bons jogos. A equipe ‘tá’ na dificuldade, hoje estamos com nove (jogadores), então, é bem complicado, é um grupo reduzido, são poucas as possibilidades… No outro time, pode ‘tá’ um mal, que entra outro no lugar, no nosso time, não; no nosso, tem que ‘tá’ todo mundo bem. Se um sair do eixo ali, complica a nossa vida.

Mariana: Até mesmo em questão de lesão, né? Índio: É! Não, (sic) lesão não pode nem pensar! Mariana: O que é lesão?! (risos)

Mayara: Não existe lesão! (risos)

Índio: Não sei o que é isso! (risos) Mas aí a gente vem conversado, “ó, galera, vamos nos cuidar, (sic) vamos alimentar bem, malhar bem, treinar bem”… O nosso tempo de treino ‘tá’ sendo reduzido, era de duas horas, hoje não pode passar de uma hora, porque se não desgasta demais. Mas, pra mim, foi tranquilo nessa questão de substituir o Bruno. Foi uma felicidade muito grande, porque eu acho que, daqui ‘pra’ frente, foi um passo a mais que eu dei na minha carreira. Eu tinha sido titular no time do Taubaté, que era Pidamonhangaba ano passado, mas fica revezando muito e esse ano eu tenho mais possibilidade de conseguir fazer mais jogos dentro de quadra.

O próximo embate do atual campeão da Superliga é contra o Sesi – SP, o segundo colocado da tabela hoje. O time paulista tem um elenco recheado de figuras com passagens memoráveis pela seleção brasileira e almeja a conquista do título esse ano. O confronto seguinte, e último dessa etapa da competição, é contra o Sada Cruzeiro, equipe que apresentou um desempenho meteórico nos torneios disputados nos últimos tempos e que ocupa a primeiríssima colocação da tabela no presente. Serão dois jogos difíceis e um tanto desafiadores para os cariocas.

Índio: Primeiramente, o que a gente mais quer é fazer um bom jogo, essa é a primeira questão. A gente sabe da dificuldade do time, perdemos n pessoas que fazem muita falta, a gente sabe da limitação. O Sesi, hoje, é o segundo colocado, time muito, muito forte. Então, o que a gente espera é fazer um bom jogo, só isso. A gente espera fazer um papel melhor dentro de quadra, porque a gente tem um compromisso com os nossos patrocinadores, tem um compromisso com a torcida, com as nossas famílias, conosco mesmo, então a gente não quer chegar lá e fazer feio, a gente não quer chegar e fazer de qualquer jeito. O jogo vai ser televisionado em rede nacional… A gente ‘tá’ pensando também dia após dias, mas nós vamos colher o fruto lá na frente. Então, não adianta a gente não dar a mínima agora e ano que vem não ter um contrato, um time que chame, possíveis convocações para a seleção e tudo mais. Mas a gente espera fazer um bom jogo, só isso, não fazer feio. Assim, a gente não ‘tá’ desanimado, a gente sabe da dificuldade, mas a gente vai lá, vai jogar… Nós estamos pensando nos playoffs mesmo, o nosso pensamento maior é entrar forte ‘pros’ playoffs. Não que esses dois jogos que faltam, que são Sesi e Sada, não sejam importantes, porque Sada vai ser em casa e vai ser televisionado também, então… Mas o nosso pensamento mesmo, focado, é no playoff, mas até o playoff tem esses dois jogos que servem pra gente dar uma…

Mariana: São um bom treino, né?

Mayara: Até porque vocês já estão classificados praticamente, né?

Índio: Sim, sim, estamos. A gente pode ficar em sexto ou em sétimo, mas a classificação é garantida. Então, a gente ‘tá’ meio que pensando num treino mesmo e fazer as coisas corretas. Ter honra, é isso que a gente quer.

Durante a conversa, relembramos que os problemas com patrocínio não são exclusividade do Rio de Janeiro. Pelo contrário, já se tornou uma situação recorrente no cenário nacional e diversas equipes importantes foram prejudicadas por isso. Perguntamos ao Índio qual é a visão dele sobre tudo isso.

Mariana: Em relação a essa questão do patrocínio… Tem sido bem complicado ‘pros’ times ultimamente. Já diversos times tiveram problemas sérios com o patrocínio, alguns times importantíssimos terminaram por causa disso, Florianópolis, Vôlei Futuro… O que você acha disso tudo? Como você acha que poderia melhorar?

Índio: Ah, assim… Aqui no Rio, os olhos vão ‘tá’ voltados pra cá quando acabar Sochi, né, as Olimpíadas de Inverno… Então, eu acho que é essencial essa questão de empresários; empresas fortes, como Furnas, Oi, que entrou agora conosco; clubes, como Tijuca, os clubes do Rio, ‘tarem’ apoiando não só o vôlei, outros esportes também. Porque, não que eu diga assim “é curto prazo só porque a Copa e as Olimpíadas estão vindo para cá”, não… Mas olha só, o Brasil, hoje, é o time que mais ganha no vôlei no mundo…

Mayara: Tanto no masculino quanto no feminino!

Índio: É, masculino e feminino! É o melhor futebol do mundo também… Você vê brasileiro, no vôlei, fora do país… É exagerado! Mais de 300, 400 jogadores de futebol, vôlei, fora! Então eu acho que a valorização no país tinha que ser um pouco melhor. Não é uma obrigação do empresário ter que patrocinar, mas eu acho que, se tivesse um incentivo maior dos governos internos estaduais, isso melhoraria essa questão de o empresário poder entrar com um valor. É triste você ver o RJX por dois anos com o investimento altíssimo, ano passado campeão, e esse ano ‘tá’ com nove jogadores.

Mariana: A gente tem essa sensação de que se o time não vence logo de cara e, às vezes mesmo vencendo, como é o caso do RJ Vôlei, acaba perdendo o patrocínio!

Índio: Até o Cimed/ Florianópolis! Venceu anos e acabou…

Mariana: O Vôlei Futuro também, que tinha todo um potencial, ficou em segundo lugar, acabou muito bruscamente. A gente fica muito triste mesmo.

Mayara: A gente fica triste, porque esse aqui é o time do Rio de Janeiro. No nacional, a gente tem só o Voltaço e o RJ Vôlei. E aí? Voltaço não ‘tá’ indo tão bem assim das pernas, agora foi ‘pra’ lanterninha com o jogo de ontem (entre o ModaMaringá e Funvic/ Taubaté, na terça), e o RJ Vôlei ‘tá’ em quinto, mas e aí? Será que não vai ter ano que vem? A gente fica meio assustado.

Índio: A gente fica nessa expectativa… Eu meio que aprendi… Eu ‘tô’ no cenário do voleibol já vai fazer nove anos agora! Há dez anos mais ou menos que eu ‘tô’ acompanhando o voleibol e vejo essa questão de time, o entra e sai… O único clube que disputou todo ano foi o Minas, que é um clube, tem uma estrutura. Eu acho que é questão de planejamento também, é essencial! E eu aprendi nesse tempo a não pensar “o que será ano que vem?”, a não criar essa expectativa. Tinha tudo ‘pro’ RJX continuar! O cara era milionário, campeão brasileiro e aí, do nada, o Eike Batista deu um azar… Mas, graças a Deus, nós tivemos outros patrocínios que conseguiram segurar as pontas hoje e estão aí até agora nos apoiando, mas a gente fica aí nessa dúvida, (sic) igual você falou. E ano que vem? O que será ano que vem? Será que vai surgir um novo time? Que vai ter outro nome? Vai ser em outro clube? Vai ser em outra casa? Então, acho que falta um melhor planejamento. Os técnicos, os próprios diretores de clube, eles têm essa questão, eles sabem fazer, mas às vezes não depende só deles, depende de alguém que tenha uma finança maior, depende de um empresário que queira patrocinar, de uma empresa que queira entrar ‘pra’ manter isso por anos, por um bom tempo. Aí a gente acaba perdendo jogadores no país, que vão ‘pra’ fora.

Mariana: Exatamente isso que eu ‘tava’ comentando com a Mayara durante o treino! A gente vê muitos times no estado de São Paulo e, por exemplo, o Rio de Janeiro tem dois times. Acho que os clubes mesmo de futebol, como o Cruzeiro faz, poderiam investir mais

Mayara: Tem time de vôlei do Flamengo? Tem. Tem do Botafogo? Tem. Mas é uma coisa só ‘pro’ (campeonato) carioca.

Mariana: É uma coisa bem secundária!

Índio: E é uma questão também de mais base! Eu acho que falta um investimento maior e uma credibilidade maior desses clubes ‘pra’ poder montar um time profissional, um time de alto nível.

Mariana: Isso atrairia mais gente ‘pro’ nosso país!

Índio: Claro! E estrangeiro gosta de jogar aqui! Todos os estrangeiros que ‘tão’ jogando na Superliga que eu perguntei dizem que não querem sair daqui tão cedo.

Mariana: Porque é um dos campeonatos mais fortes, né?

Índio: É, um dos melhores campeonatos do mundo é aqui! Talvez perca aí ‘pro’ italiano, ‘pro’ russo e tal, mas ‘tá’ ali entre o top 5, tanto em questão de jogadores, quanto em questão de campeonato.

Durante algum tempo, Índio andou desanimado em relação ao vôlei. Após a temporada no antigo Pindamonhangaba, atual Taubaté, o jogador cogitou abandonar as quadras e dar prosseguimento aos estudos. Contudo, o apoio recebido da família, especialmente do avô, e a vida religiosa fizeram com que voltasse a trilhar os caminhos do esporte. Logo depois, recebeu a proposta de vir jogar no RJX, fato determinante para que tomasse a decisão de voltar definitivamente a fazer aquilo que ama.

Índio: Eu ‘tava’ em casa, meio saturado de vôlei, com dores e um pouco frustrado com a relação de ser jogador. Comecei a estudar, fiz alguns cursos, algumas questões de administração, gerência e tal. Mas eu tenho um histórico de família muito bom, eu fui criado com o meu avô, pelos meus avós, e, quando o meu avô morreu, a mensagem que ele deixou ‘pra’ mim foi que eu nunca desistisse do vôlei, falou assim “ó, você ama fazer isso, sabe o tanto que foi difícil ‘pra’ você no começo conseguir as coisas, então, independente do que aconteça, você continue jogando”. Então, teve um certo dia, e eu sou evangélico, não é segredo pra ninguém isso, que eu ‘tava’num culto e todas essas emoções voltaram. Eu tava saturado, tava triste, só que… Então quando voltou tudo isso, essa paixão pelo vôlei reacendeu. E justo por ter reacendido, quando o Marcelo me convidou, aí melhorou ainda mais, por eu já ter trabalhado com ele, por eu já ter uma certa confiança nele, já conhecia ele e tudo mais. E, além do mais, eu ia vir pro RJX, o atual campeão, e quando eu vi o plantel que tinha, Bruno, Leandro Vissotto, Thiago Alves, Sens, Maurício, Mário Jr., Riad, jogadores nomeados no cenário do voleibol brasileiro… Então, me alegrou muito isso e hoje não passa nem um pouco pela cabeça a chance de (desistir)… Eu não digo que foi ruim, porque talvez essa parada minha tenha servido ‘pra’ eu valorizar aquilo que eu amo, entendeu? Porque eu amo voleibol. Eu até tenho uma frase que é brincadeira assim, mas eu falo que o vôlei é minha paixão e Jesus Cristo é meu amor. Mas eu amo isso, então eu acho que esse tempo que eu fiquei parado (sic) fez eu pensar um pouco mais as oportunidades que talvez eu possa ter perdido um dia. E também eu falo que nada aconteceu por acaso, porque se eu tivesse ido para outro time, hoje eu não ‘taria’ aqui, né?

Ao fim da entrevista, a Mayara quis deixar o menino numa saia justa perguntando pelo seu amor pelo Cruzeiro dos gramados e como ele lida com esse sentimento em relação ao azul celeste das quadras. E não é que ele soube se safar bem?

Mayara: E o Sada Cruzeiro? Você é Cruzeiro do coração no futebol! Você torce ‘pro’ Sada? Você fica meio assim quando você ‘tá’ em quadra? (risos)

Índio: Então, quando eu ‘tô’ contra, é meu inimigo, eu quero ganhar, isso aí não interessa. Mas eu sou cruzeirense no futebol, isso vem de pai: meu pai é cruzeirense, meu avô era cruzeirense, minha mãe é cruzeirense, claro que tem uma certa paixão. Mas, assim, eu torço para que um projeto como o do Sada Cruzeiro continue, porque abre as portas para mais jogadores e aí o pessoal não tem que sair.

Mariana: E também facilita a entrada de alguns jogadores na seleção, né?

Índio: Facilita, facilita n coisas. O Clube Cruzeiro, Futebol Clube, abriu as portas ‘pro’ Sada e tudo mais. O empresário do Sada é um cara que ama voleibol, então você vê nos últimos cinco anos a evolução que o Sada Cruzeiro teve, entendeu? Ver isso é uma felicidade. Poderia acontecer em vários outros clubes, só que infelizmente, né… Mas, assim, coração mesmo é no campo.

Por último, pedimos para que o levantador desse alguma dica ou uma palavra de incentivo para aqueles que estão começando no vôlei agora e ainda estão inseguros, sem saber se devem continuar ou não.

Índio: A coisa que eu mais ouvi quando eu saía de quadra, logo quando eu era ponteiro, eu virei levantador tarde, virei levantador quando eu tinha 17, 18 anos… A coisa que eu mais ouvia era “o segredo é treino”. Quando você achar que você ‘tá’ bom, treina mais, porque aí você ‘tá’ péssimo. Não se sinta satisfeito nunca. Olha a situação que eu ‘tô’ hoje… O Guilherme ‘tá’ um pouco lesionado, ‘tá’ voltando ainda, eu poderia muito bem me acomodar, talvez isso passaria na mente de várias outras pessoas, mas não.. Eu sei, eu sei do meu potencial, eu sei que eu tenho muita coisa para melhorar, isso aí é notório. Acaba o jogo, eu peço os vídeos, as estatísticas do meu jogo, eu sempre ‘tô’ tentando ver onde eu errei ‘pra’ poder melhorar. No treino, se eu tiver que fazer mil bolas repetidas ali, eu vou fazer. Eu chego ‘pro’ técnico e falo “ó, ‘vamo’ fazer um extra hoje! Ah, eu errei saque no jogo,’ vamo’ fazer um extra de saque?”. Então, eu nunca penso em me acomodar, porque eu sei que no meu futuro vai fazer falta; eu penso em não me acomodar ‘pra’ poder evoluir. Mariana: Isso, na verdade, não se aplica só ‘pra’ quem ‘tá’ fazendo vôlei, acho que isso é ‘pra’ todas as profissões! Índio: É, é! Mas o segredo que você perguntou… A dica é treino!

E aí? Gostaram da surpresa? O Linha adorou fazê-la e agradece imensamente toda a gentileza do pessoal do RJ Vôlei e do T.T.C. por nos acolherem no treino e, em especial, a disponibilidade do Índio de nos conceder o seu tempo para esse bate-papo maravilhoso! Por favor, deixem seus comentários nas nossas redes sociais, a participação de vocês é fundamental para nós! E que venham novas entrevistas!

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