Mudanças impostas pela CBV para os campeonatos nacionais causam polêmica

Mariana Miquelino
@marianagermana

Os jogadores do São Bernardo Vôlei e do Funvic/ Taubaté tiveram a oportunidade de experimentar duas mudanças
Os jogadores do São Bernardo Vôlei e do Funvic/ Taubaté além de jogarem com o sistema de 21 pontos no Campeonato Paulista, tiveram a experiência do polêmico “golden set”. Foto: São Bernardo Vôlei/ Divulgação

As novas temporadas dos campeonatos brasileiros de vôlei chegaram trazendo uma série de inovações que geraram polêmica entre os torcedores e os próprios atletas. Mudanças no esporte não são inéditas: no fim dos anos 1990, criou-se a posição de líbero e, em 2000, o sistema de vantagem foi abolido. Apesar das divergências acerca das implementações recentes, todos parecem estar em comum acordo de que estas visam à redução do tempo de jogo, de modo a beneficiar as redes televisivas.

Em agosto, a CBV anunciou a redução do número mínimo de pontos por set de 25 para 21 (exceto no tie-break, que continua a ser disputado em 15 pontos) nas disputas da Superliga. Apesar de o formato não ter sido confirmado pela FIVB para os torneios internacionais, esta tem incentivado alguns países a testá-lo, o que gera certa insegurança quanto ao nível de preparo do Brasil frente às outras potências mundiais. O superintendente técnico da CBV, Renato D’Ávila, tentou acalmar os ânimos daqueles que se pronunciaram contra o novo modelo: “a Superliga e a CBV estão colaborando com a Federação Internacional, mas não quer dizer que será aprovada. Quem vai decidir é a FIVB. Se virar regra, o mundo inteiro terá que jogar neste sistema. É um ônus e um bônus, pode acontecer também de ser homologado e já termos treinado um sistema novo”. Com a mudança, as paradas técnicas passam a acontecer em 7 e 14 pontos.


Os irmãos Endres, nomes de peso no esporte, formularam opiniões um pouco diferentes sobre as alterações. Murilo desaprovou o formato, dizendo que este pode representar um retrocesso para a nossa seleção: “Não dá para testar algo em um campeonato tão importante como a Superliga se não estão pensando em levar o modelo adiante. Seria dar um passo atrás, dar vantagem para as outras seleções. Vamos torcer para a nova regra entrar em vigor realmente, se não esta Superliga não valerá de nada, será um atraso”. Gustavo, por sua vez, foi menos crítico: “Prefiro jogar com os 21 pontos para depois avaliar. Não teve uma votação, fomos comunicados de que foi uma exigência da televisão”. William Arjona, levantador do Sada/Cruzeiro, foi direto ao ponto: “Cagaram com o vôlei. Deveria cortar o preço das entradas pela metade! As pessoas vão demorar mais pra chegar e entrar no ginásio do que a partida em si! Terrível”.

Outro aspecto que trouxe discórdia foi justamente o fato de que as alterações não foram votadas e não houve sequer uma consulta aos times, como comentou o gestor da equipe do Canoas Vôlei: “A proposta atende aos interesses da televisão, nossa opinião não foi perguntada. Tecnicamente não podemos avaliar se é benéfica ou não porque ainda não testamos. Se nos dará mais transmissões, mais patrocínio, é mais receita para os clubes. Os interesses da televisão devem ser casados aos do esporte. Torcemos por isso”. De fato, o vôlei não sobrevive sem o apoio da mídia, principalmente das grandes redes de televisão; é a forma de estar em contato constante com os torcedores, de garantir patrocinadores e de ampliar as fronteiras de alcance do esporte. Contudo, é preciso delinear limites, ainda que tênues, para a influência que essas mesmas mídias exercem sobre o jogo.

Para o Campeonato Paulista, a adoção do “golden set” foi a grande modificação da temporada. A partir das quartas de final, os times de uma mesma chave que empatassem em número de vitórias iriam disputar um set decisivo, posterior ao segundo jogo, evitando assim a realização de uma nova partida. Por exemplo, os times de São Bernardo e Taubaté se enfrentaram nas quartas de final e cada um venceu uma partida da chave. Com o empate, após o fim do segundo jogo, foi disputado o “golden set”, que deu vitória ao São Bernardo e fez com que este avançasse para as semifinais.

Outras alterações divulgadas em comunicado da CBV foram a penalização dos dois toques, que passa a ser proibido inclusive na recepção do saque, e a significação do uso dos cartões. O cartão amarelo passa a ser apenas uma advertência, não contabilizando ponto para a equipe adversária, o que só ocorre com o uso do cartão vermelho. Ambos os cartões levantados juntos caracterizam a expulsão de um jogador e, se levantados separadamente, indicam a desqualificação do mesmo.

Saiba Mais: CBV confirma jogos com sets de 21 pontos

E vocês, leitores do Linha, o que acharam das novidades?

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