Voleibol: História e curiosidades

Nathália Farias | @nath_fv

Para iniciarmos o Linha das 5, nada mais coerente e justo que começarmos a falar sobre a origem do vôlei, suas curiosidades durante a sua evolução, como ele chegou ao Brasil e de que forma ele se tornou a potência que nos é apresentada hoje.

A ideia do vôlei surgiu em 1895, quando o americano William George Morgan, que assumira naquele ano a função de professor de educação física na faculdade YMCA (Associação Cristã de Moços) de Holyoke, Massachusetts (EUA), tentava criar uma nova competição em quadra coberta que pudesse ser praticada pelos seus alunos.

Antes de se formar na faculdade da YMCA, Morgan conheceu James Naismith, que havia criado o basquete em 1891. No entanto, o basquete era muito intenso e com muito contato físico, o que era um atrativo para os jovens. E a intenção de Morgan era criar um jogo recreativo que ao mesmo tempo fosse competitivo e sem contato físico, para atrair o público mais velho. Morgan tinha seu esporte, batizado por ele de Mintonette.


No início de 1896, uma conferência foi organizada na faculdade YMCA de Springfield, na qual estiveram presentes todos os professores de educação física da YMCA. Morgan, então, foi convidado pela direção para fazer uma demonstração de seu jogo no ginásio recém inaugurado da faculdade.

As regras básicas do vôlei nessa época eram:

1.   O jogo era constituído por nove innings. Um inning consistia na execução de três serviços por jogador em cada equipe, que seriam saque, recepção, evantamento e o ataque/bloqueio que podia consistir em ponto ou não;
2.   Sistema de pontuação – uma equipe só marcava ponto quando possuía o serviço (saque);
3.   A rede não podia ser tocada;
4.   A bola não podia ser agarrada;
5.  A bola podia tocar em qualquer objeto estranho ao jogo e se voltasse novamente à área de jogo podia continuar a ser jogada; logo se tocasse no teto do ginásio e voltasse o jogo continuaria normalmente, diferente do que ocorre hoje;
6.   Os jogadores podiam tocar na bola duas vezes consecutivas;
7.   O número de toques era ilimitado;
8.   O número de jogadores por equipe era variável; 

 

Após assistir à demonstração e ouvir as explicações de Morgan, o professor Alfred T. Halstead chamou a atenção para a ação do vôo da bola por cima da rede (voleio), sem tocar o chão, e propôs que o nome Mintonette fosse substituído por Volley Ball. O nome foi aceito por Morgan e pela conferência, permanecendo desta forma até 1952, quando o Comitê Administrativo da então Associação de Volley Ball dos Estados Unidos votou pela pronúncia do nome em apenas uma palavra, passando para a forma definitiva Volleyball.
Em 1916, um artigo do Guia de Vôlei Spalding escrito por Robert C. Cubbon estimou que os praticantes de vôlei nos EUA já totalizava 200 mil. Naquele mesmo ano, a YMCA conseguiu que a NCAA (a maior liga de esportes universitários dos EUA) divulgasse o vôlei em seus artigos, contribuindo para o rápido crescimento do esporte entre os jovens universitários.Em 1918, o número de jogadores por time foi limitado a seis e, em 1922, o número máximo de toques na bola permitido foi fixado em três. Até os anos 30, o vôlei foi praticado mais como uma forma de recreação e lazer, e houve poucas atividades internacionais e competições. Isso devido ao fato que havia diferentes regras em várias partes do mundo. Entretanto, campeonatos nacionais já eram disputados nos países da Europa oriental, para onde o esporte foi levado pelos soldados americanos a partir de 1915, na 1ª Guerra Mundial. Também em função da 1ª Guerra Mundial, o Egito foi o primeiro país africano a descobrir o vôlei.

Em 1924, houve uma demonstração de esportes americanos nas Olimpíadas de Paris (FRA) e o vôlei estava entre eles. No entanto, foi apenas em setembro de 1962, no Congresso de Sofia (Bulgária), que o vôlei foi admitido como esporte olímpico. Sua primeira disputa se realizou nas Olimpíadas de Tóquio (JAP), em 1964, com a presença de dez países no masculino – Japão, Romênia, Rússia, Tchecoslováquia, Bulgária, Hungria, Holanda, Estados Unidos, Coréia do Sul e Brasil. O primeiro campeão olímpico masculino foi a Rússia, a Tchecoslováquia foi a vice e a medalha de bronze ficou com o Japão. No feminino, o Japão também levou o ouro. A Rússia ficou em segundo e a Polônia, em terceiro.

Vôlei no Brasil

Não se tem registro de quando o vôlei chegou às terras brasileiras. Oficialmente, a primeira competição do esporte no país foi realizada em Recife (PE), em 1915, organizada pela Associação Cristã de Moços (ACM) com local, regras e regulamento definidos. Assim, tudo leva a crer que o esporte já era praticado informalmente antes desta data. A partir daquele momento, entretanto, colégios de outras cidades pernambucanas passaram a ter o vôlei como uma de suas disciplinas de educação física. Dois anos depois, em 1917, o esporte chegou à ACM de São Paulo.

A primeira competição internacional da qual o Brasil participou foi o 1º Campeonato Sul-Americano, em 1951, mesmo antes da fundação da Confederação Brasileira de Volleyball (CBV), em 1954. O Sul-Americano foi patrocinado pela então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), com o apoio da Federação Carioca de Volleyball, e aconteceu no ginásio do Fluminense, no Rio de Janeiro, entre 12 e 22 de setembro daquele ano, sendo campeão o Brasil, no masculino e no feminino.

Em 1954, a Confederação Brasileira de Voleibol foi criada com o objetivo de difundir e desenvolver o vôlei no país. Dez anos mais tarde, o vôlei brasileiro marcou presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio, quando o esporte fez sua estreia na competição. Assim como no futebol o Brasil é o único país que disputou todas as Copas do Mundo, os sextetos nacionais masculinos de vôlei participaram de todas as edições das Olimpíadas.

A estreia do país em competições em solo europeu foi para a disputa do Campeonato Mundial de Paris (FRA), em 1956, quando a Seleção masculina foi comandada pelo técnico Sami Mehlinsky. O Brasil terminou na 11ª colocação.

Em 1975, com um excelente trabalho realizado pela CBV, o Brasil entrava para o seleto grupo das grandes potências do vôlei. Isto ocorreu quando o presidente Carlos Arthur Nuzman (hoje presidente do Comitê Olímpico Brasileiro) assumiu a presidência da CBV. Nuzman apostou em um trabalho a longo prazo e no apoio a iniciativa privada. Com isso foi montada uma grande infraestrutura que ajudou e muito para o surgimento de grandes revelações e conquistas para o vôlei brasileiro.

Sete anos depois que assumiu a presidência da CBV, Nuzman colhia os frutos de ter apostado no incentivo das empresas privadas. O Brasil conseguia uma inédita medalha de prata no Campeonato Mundial masculino, disputado em 1982, em Buenos Aires, na Argentina. Em 1984, o Brasil novamente teria uma grande participação com competições internacionais. Desta vez, conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, perdendo na final para os norte-americanos. Nesta época, o então time, que tinha Bebeto de Freitas como técnico, era composto por: William, Xandó, Renan, Badalhoca, Montanaro, Bernardinho, Amauri e Bernard, jogador que criou o estilo de saque conhecido como “Jornada nas Estrelas”.

O sucesso da seleção brasileira era tanto, que um amistoso contra a União Soviética foi realizado no estádio do Maracanã, no qual reuniu mais de 100 mil pessoas. Um recorde de público no cenário mundial do vôlei. Nesta época a seleção era composta pela geração conhecida como a “geração de prata” por: Bernard, Montanaro, Renan, Willian, Amauri, Fernandão, Domingos Maracanã, Bernardinho, entre outros. 
 


A geração de prata disputa a final contra os EUA, em Los Angeles/ Foto: Folha Online

 

Em 1992, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, na Espanha, uma nova geração entrava no cenário da seleção masculina de vôlei. A geração anterior, conhecida como a geração de prata, dava lugar a geração de ouro. Naquela Olimpíada, o tão sonhado ouro era conquistado pela seleção brasileira que tinha nomes como o de Tande, Marcelo Negrão, Giovane, Maurício, Paulão e Carlão.

Depois dos Jogos Olímpicos de Barcelona, o Brasil entrava de vez no cenário mundial como favorito a conquistar as competições. Tanto que a seleção masculina nos anos seguintes conquistou vários títulos na Liga Mundial, no Mundial e na Copa do Mundo, além de mais um ouro olímpico.

Depois de Tande, Giovane e Paulão, surgiam nos anos 2000 estrelas que brilham e fizeram do Brasil atualmente a maior potência do vôlei no mundo com Giba, Serginho, Gustavo e entre outros jogadores comandados pelo treinador multicampeão Bernardinho.

Ironicamente, se a CBV foi a percussora para a consagração de o nosso país ser considerado a potência do vôlei mundial, é a mesma CBV que impede que o campeonato nacional se torne outra potencial para os espectadores e amantes do esporte.
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